Questões

Atenção: A questão refere-se ao texto que segue. Natureza Nã 96724

Atenção: A questão refere-se ao texto que segue.

Natureza

 

Não, nada de piqueniques! O encanto das paisagens numa tela é que elas não têm cheiro, nem temperaturas, nem ruídos, nem mosquitos... Nada, enfim, do que acontece nas desconfortáveis paisagens reais. Quando estive no Rio, meu editor, amigo e colega se ofereceu para "uma tarde destas" me mostrar a cidade. Agradeci-lhe horrorizado:

– Não, muito obrigado, Paulinho! Eu sou evoluído: o que mais me agrada no Rio são os túneis...

Creio que ele suspirou de alívio.

Pois bem que ele devia saber, como poeta de verdade, que nunca se deve ser apresentado a uma paisagem. É uma situação embaraçosa. Nem ao menos se lhe pode dizer: "Muito prazer em conhecê-la, minha senhora!"

Esse não pode ser um conhecimento voluntário, aprazado, mas uma lenta osmose inconsciente, de modo que no fim se fique pertencendo à paisagem, e vice-versa.

Não se pode conhecer nada num minuto e só por isso é que os turistas não conhecem o mundo.

Jamais acreditei em observação direta, principalmente quanto à criação poética. A comunicação poética, no seu mais profundo sentido, não é acaso subliminar? Os poetas que dizem tudo acabam não dizendo nada. Porque a poesia não é apenas a verdade... É muito mais!

A Poesia é a invenção da Verdade.

 

(Mário Quintana. Caderno H. P. Alegre: Globo, 1973)

Nesta crônica, fala-nos o autor de seu modo de compreender a "Natureza", tal como anuncia o título. O cronista considerou essa palavra nas seguintes acepções:

I. a natureza real do campo.

II. a natureza como paisagem representada.

III. as belezas naturais de uma cidade.

IV. a natureza poética como criação da Verdade.

O cronista RESISTE a admirar a natureza nas acepções indicadas APENAS em

Questões similares