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É inegável a participação da indústria farmacêutica na pesqu 96603

É inegável a participação da indústria farmacêutica na pesquisa clínica, na busca de novos fármacos para patologias antigas e novas, em que necessidades são criadas a partir da síntese de novas drogas. É inegável, ainda, a participação dessa indústria junto às universidades, financiando tais pesquisas. Não se pode esquecer sua participação na educação continuada, mediante patrocínio de eventos científicos e edição de livros distribuídos gratuitamente aos médicos, colaborando para a atualização deles.

Mas é evidente que se trata de um negócio em mercado muito competitivo: somente no Brasil, segundo dados da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica, as vendas de medicamentos alcançaram 17 bilhões de reais em um período de 12 meses (abril de 2003 a março de 2004). Além disso, funcionam no país 550 laboratórios, o que o coloca na 11.a posição no ranking do mercado farmacêutico mundial em relação às vendas do varejo, com 1,5 bilhão de caixas de remédios vendidas em 2003. A previsão dos fabricantes de remédios é que o setor cresça de 7% a 10% ao ano.

É exatamente nesse ponto que se estabelece o conflito, porque alguns médicos acreditam não serem influenciados pelas refeições, brindes, hospitalidade e honorários da indústria. Afinal, nenhuma indústria farmacêutica distribui o dinheiro de sua participação por um ato de generosidade desinteressada. Tanto é verdade que 30% de seu faturamento é revertido em marketing junto aos médicos, pelas citadas benesses. Com certeza, tais vantagens estão embutidas no preço dos medicamentos, custeadas com o dinheiro que nossos pacientes empregaram quando de sua aquisição.

 

Roberto Luiz d’Ávila. Conflito de interesses no relacionamento entre médicos e indústria farmacêutica. In: Medicina Conselho Federal, n.o 161, out./nov./dez./2006, p. 23-4 (com adaptações).

Com relação ao texto acima, julgue o item subseqüente.

O autor do texto propõe que a indústria farmacêutica imiscua-se na pesquisa de novos fármacos sem envolver os médicos, ou seja, volte-se, de forma generosa e desinteressada, para o apoio a pesquisas nas universidades.

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