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Texto.Um traço que deve caracterizar o ser humano, ainda não 49823

Texto.Um traço que deve caracterizar o ser humano, ainda não embrutecido pela própria fraqueza ou pela realidade tremenda, é a liberdade que ele se reserva de opor ao evento defeituoso, à situação decepcionante, uma força contraditória. Essa força poderia chamar-se esperança; esperança de que aquilo que não é, que não existe, possa vir a ser; uma espera, no sonho, de que algo se mova para a frente, para o futuro, tornando realidade aquilo que precisa acontecer, aquilo que tem de passar a existir.Essa força talvez pudesse ser chamada, também, de sonho. Mas esse também seria um nome inadequado, porque um sonho escapa a nosso controle, impõe-se a nós tanto quanto se insinua sobre nós essa realidade manca ou sufocante que precisa ser mudada. E é necessário termos o controle dessa mudança, algum controle. Sonhar, apenas, não serve.Estaríamos mais perto do nome adequado a essa força de contradição se pensássemos na imaginação, essa capacidade de superar os limites freqüentemente medíocres da realidade e penetrar no mundo do possível. Mas a imaginação necessária à execução daquilo que deve vir a existir não é a imaginação digamos comum, aquela que se alimenta apenas da vontade subjetiva da pessoa e se volta unicamente para seu restrito campo individual. Tem de ser uma imaginação exigente, capaz de prolongar o real existente na direção do futuro, das possibilidades; capaz de antecipar este futuro como projeção de um presente a partir daquilo que neste existe e é passível de ser transformado. Mais: de ser melhorado.Essa imaginação exigente tem um nome: é a imaginação utópica, ponto de contato entre a vida e o sonho. É ela que, até hoje pelo menos, sempre esteve presente nas sociedades humanas, apresentando-se como o elemento de impulso das invenções, das descobertas, mas, também, das revoluções. É ela que aponta para a pequena brecha por onde o sucesso pode surgir, é ela que mantém em pé a crença em uma outra vida. Explodindo os quadros minimizadores da rotina, dos hábitos circulares, é ela que, militando pelo otimismo, levanta a única hipótese capaz de nos manter vivos: mudar de vida.Teixeira Coelho. O que é utopia. São Paulo: Brasiliense, 1980, p. 7-9 (com adaptações).No item subseqüente, julgue se a reescritura destacada em negrito mantém as idéias originais do fragmento indicado do texto."Mas (...) controle": Todavia, o nome sonho também não seria adequado, haja vista um sonho escapar ao nosso controle

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